Sempre fui o tipo de pessoa que se incomodava ao ouvir a palavra: morte. Tudo era “feliz” e “perfeito” na minha vida. Pra que tocar em algo que só de falar machucava o peito?
Não era a pessoa mais empática quando o assunto estava relacionado ao morrer.
Até que o luto chegou e mudou a minha vida pra sempre…
Quando recebi o impacto da notícia, foi a sensação mais desesperadora que vivi nessa existência. Parece que um buraco se abriu, as pernas estremeceram, faltou o ar, o coração parecia que iria pular pra fora do peito, qualquer raciocínio perdeu totalmente o efeito diante daquele momento. Meu mundo “perfeito” tinha desmoronado.
Como sobreviver sem a minha mãe? Minha melhor amiga? Minha confidente? Meu alicerce? Minha alma gêmea?
Nunca tinha conseguido cortar meu cordão umbilical com a minha mãe, mesmo adulta e com dois filhos, ela era estava sempre presente, me guiando, me apoiando em todos os momentos difíceis que já tinha enfrentado.
E nosso cordão foi rompido bruscamente.
Sem qualquer preparação e sem qualquer tipo de anestesia.
Achei que tivesse morrido, mas eu tinha sobrevivido, pelo menos uma parte de mim ainda estava ali.
Uma semana e todos me abraçavam, eu chorava e desabafava. Pouco tempo depois, já começava a sentir o quanto minha dor incomodava.
Tive que aprender a viver o luto vivendo, sentindo, chorando, sorrindo e me apegando no bem mais precioso que ela me deixou: o amor.
Me sentia novamente como uma criança indefesa reaprendendo a andar.
O luto levou uma parte gigantesca do meu ser, mas ele também me ensinou a batalhar pelo viver.
Aprendi a ser um ser humano muito melhor.
Aprendi a sair da minha “bolha” e parar de me sentir injustiçada por ser a única que sofreu dessa forma.
Aprendi sobre o poder da empatia, da compaixão e da generosidade.
Aprendi a olhar o mundo com mais acolhimento.
Aprendi a levar legitimidade e entendimento de que todas as emoções que sentimos precisam ser vividas para serem ressignificadas.
Aprendi que o amor que ela me deixou é imortal e irá me sustentar até o final.
Aprendi a transformar o meu luto em uma luta!
E tenho certeza que conseguiremos vencer!
Com amor,
Rackel Accetti

